quarta-feira, março 23, 2005

Vrum, vrum

Depois de 5 meses de longa espera eis finalmente chegada a nova viatura!

O nome de baptismo não é difícil de adivinhar. O tão esperado, tão ansiosamente aguardado, chamar-se-á obviamente D. Sebastião.

E meu car(r)o, pode-se ir preparando para grandes voltas! Só Marrocos ficará de fora dos itinerários pois não vamos querer ver mais nenhum Sebastião desaparecer por lá.


segunda-feira, março 21, 2005

Corporativismo, já viste melhores dias eihn?...

1) Para a ordem dos farmacêuticos vender medicamentos em grandes superfícies, ainda que não necessitem de prescrição médica, não devia ser permitido. Para esta ordem, a venda dos medicamentos deveria ser sempre acompanhado por um farmacêutico e estes só podem trabalhar numa farmácia porque existem leis e mais não-sei-quê que o exigem.
A ordem dos farmaceuticos também já avisou a dos médicos (que se pronunciou favoravelmente à venda destes medicamentos em grandes superfícies desde que acompanhada por um farmacêutico) para se meter na sua vida e se preocupar apenas com os seus assuntos. Estão as comadres a zangar-se? A argumentação dos farmacêuticos é simplesmente hilariante. Estão nervosos. Bom sinal: provavelmente vamos ter medicamentos mais baratos. Podemos finalmente encarar com mais tranquilidade a velhice!

2) Magistrados do Ministério Público dispostos a analisar redução de férias. Redução para um mês, entenda-se. De facto era só o que faltava. Só um mês de férias, que violência!

Por outro lado, a posição do representante do sindicato dos funcionários judiciais é uma lufada de ar fresco no meio destes corporativistas bafientos: "os tribunais deveriam funcionar o ano inteiro, de Janeiro a Dezembro, como acontece na função pública ou numa empresa".

Estas medidas serão apenas fogachos do novo governo ou é para levar a sério? Vamos ver.

sexta-feira, março 11, 2005

Allez, allez



O blog decidiu tirar mais umas férias. Vemo-nos daqui a 1 semana.

Fiquem bem!

Literatura vinícula


Que poderá haver, numa garrafa de vinho, tão interessante como o precioso néctar que encerra?

A literatura do seu rótulo!


Este tem direitos reservados da Adega Cooperativa de Portalegre e vejam lá se não é quase poético:

"Nesta garrafa encerram-se noites frias e dias longos, solos graníticos, chuva e sol na medida certa de um saber com mais de meio século de existência. Neste vinho encontra um pedaço do melhor que o Alentejo tem.

Na companhia de um bom vinho!"

quinta-feira, março 10, 2005

Curiosidades linguísticas da Bahia

Nesta viagem à Bahia aprendi qual o origem de algumas expressões que utilizamos quotidianamente:

"Feito em cima da coxa" - Aquando da visita à casa de Garcia D'Ávila na Praia do Forte (que vai merecer um post nos próximos dias) o guia explicou-nos de onde vinha esta expressão. A curvatura das telhas da casa era dada pelas coxas dos escravos. As telhas eram produzidas com argila quente, a qual era depois colocada a secar sobre as coxas dos escravos, ganhando assim a sua forma final (trabalho agradável, eihn?...). Como os escravos tinham pernas de tamanhos diferentes obviamente as telhas saiam cada uma com seu tamanho e feitio. Daqui vem então a expressaão "feito em cima da coxa" para referir algo feito com pouco cuidado ou precisão.

"Sem eira nem beira" - Percorrendo a zona histórica de Salvador foi-me explicado o significado da quantidade de janelas e dos beirais de telhado nas fachadas destas casas do Brasil colonial. Quanto maiores eram as posses e a posição social da família, mais trabalhado era o beiral e respectivas beiras que ostentavam as suas casas. Depois havia ainda as casas que não tendo beirais ainda possuíam uma pequena eira para o cultivo. Na base desta estratificação social estavam aqueles que não tinham beiras nas casas nem tão pouco uma eira para cultivar.

quarta-feira, março 09, 2005

Turismo

De mongos para mongos...

A foca bébé do Ártico é dos animais mais desprotegidos que existem à face da Terra. É demasiado lenta para fugir aos predadores e não tem ainda pêlo suficiente para aguentar as temperaturas gélidas da água.

Este ano o governo norueguês, por intermédio de seu ministro das pescas, teve a ideia genial(!) de promover uma nova forma de turismo: pacotes de alguns dias para matar focas! Por meia dúzia de patacos o turista tem direito a matar umas focas bébé e tirar fotos com a temível presa ensanguentada a seu lado...

Ora eu gostava de saber como é possível alguém num país dito civilizado ter uma ideia destas?!? E como é possível que alguém alinhe neste 'turismo'?... Não tenho nada contra a caça ou pesca desportivas (ainda que não goste de as praticar), mas andar a caçar focas bébé vai para lá de tudo o que a minha inteligência permite compreender!

Tentando ser civilizado, em vez de mandar o governo noruguês à merda, vou antes transcrever uma passagem do livro "O Reino do Dragão de Ouro" de Isabel Allende: “O respeito por qualquer forma de vida, fundamento do budismo, era o lema de ambos. Achavam que qualquer criatura poderia ter sido sua mãe numa vida anterior. Por isso deviam tratá-las com toda a bondade. De qualquer forma, como dizia o lama, o importante não é aquilo em que se acredita ou não, mas aquilo que se faz.”

Não é que eu seja budista ou tenho deixado de ser europeu, agora pudesse eu construir a Europa como quem constrói lego ... e trocava de bom grado a Noruega pelo Butão, isso trocava!...

terça-feira, março 08, 2005

Iemanjá


Na sequência do dia da mulher, ainda meio inebriado pelo candomblé e fazendo juz ao nome do blog, não podia deixar de evocar Iemanjá.

Iemanjá, cujo nome deriva de Yèyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes"). Sincretização de Nossa senhora da Conceição. Inaê, Mucunã, Janaína. A mãe de todos os orixás. A protectora dos pescadores. A deusa do amor. A rainha das águas.

A Mulher.

Dia da Mulher

segunda-feira, março 07, 2005

Mo Cuishle


Este fim de semana fui ver o filme Million Dollar Baby de Clint Eastwood. É um filme muito bom. Muito forte, mas muito bom. Mereceu todos os óscares que ganhou. A não perder. Mesmo!

Não sendo o mais importante do filme ajudou-me também a perceber porque não consigo apreciar o boxe...

Mas não vou comentar mais porque o melhor é mesmo ver o filme.

Candomblé

Uma sensação que se tem na Bahia é a proximidade com África. Esta influência está bem patente ainda hoje na quantidade de mulatos e mulatas (creio que mais de 80% da população) que vemos nas ruas, na música, no artesanato com as suas estatuetas de madeira e na mitologia .
O Candomblé é a expressão máxima desta mitologia africana, onde existe um deus supremo (Olodumaré) que criou os orixás (deuses) para governarem e supervisionarem o mundo. O orixá é uma força pura e imaterial, a qual só se torna perceptível aos seres humanos manifestando-se num deles. É engraçado também verificar a forma como a mitologia africana interage com o catolicismo (cada orixá negro tem um correspondente num santo católico).
Verifiquei que a Bahia é muito isto: um misto de influências africanas e europeias, patentes, por um lado, nestas expressões culturais africanas e, por outro lado, na enorme quantidade de igrejas que se espalham por Salvador. Os colonizadores portugueses reprimiram o culto aos orixás, porque o viam como feitiçaria. Os escravos africanos fizeram então a associação dos orixás com os santos católicos, formando o sincretismo religioso de hoje.

Penso que para perceber a Bahia é preciso entender como estas influências se misturam e são vividas.

Antes de ir de viagem comprei um livro de Jorge Amado - Jubiabá - não só pela qualidade de escritor de Jorge Amado mas também como guia histórico-turístico da Bahia. O livro descreve na perfeição a vida difícil dos negros de Salvador no início do século passado. E as suas crenças e mitologias.

Jorge Amado, no capítulo Macumba de seu livro “Jubiabá”, relata uma festa na casa do pai-de-santo Jubiabá:

“Na sala estavam todos enlouquecidos e dançavam todos ao som dos atabaques, agogôs, chocalhos, cabaças. E os santos dançavam também ao som da velha música da África, dançavam todos os quatro, entre as feitas, ao redor dos ogãs. E eram Oxóssi, o deus da caça, Xangô, o deus do raio e do trovão, Omulu, o deus da bexiga, e Oxalá, o maior de todos, que se espojava no chão.

No altar católico que estava num canto da sala, Oxóssi era São Jorge; Xangô, São Jerônimo; Omulu, São Roque, e Oxalá, o Senhor do Bonfim - que é o mais milagroso dos santos da cidade negra da Bahia de Todos os Santos e do pai-de-santo Jubiabá. É o que tem a festa mais bonita, pois a sua festa é toda como se fosse candomblé ou macumba”.

Esclarece Jorge Amado: na porta da casa do pai-de-santo Jubiabá, negras vendiam acarajé e abará; antes da festa, fizeram o despacho de Exu, o qual foi perturbar outras festas mais longe.